AUGUSTO DOS ANJOS  

 

 

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos autor de um único livro Eu, que já conta com cerca de 30 edições, foi um poeta extraordinário, realista e simbolista ao mesmo tempo, num contraste com tudo, fazendo de sua poesia a bandeira de .revolta de seu espírito. Foi simples professor, embora formado pela Faculdade de Direito do Recite, morrendo humilde e pobre em Leopoldina, Minas Gerais, a 12 de novembro de 1914. Nasceu na Paraíba, em 20 de abril de 1884.

 

 

VANDALISMO

 

 

Meu coração tem catedrais imensas,

Templos de priscas e longínquas datas,

Onde um nume de amor, em serenatas,

Canta a aleluia virginal das crenças.

 

 

Na ogiva fúlgida e nas colunatas

Vertem lustrais irradiações intensas

Cintilações de lâmpadas suspensas

E as ametistas e os florões e as pratas

 

 

Como os velhos Templários medievais

Entrei um dia nessas catedrais

E nesses templos claros e risonhos..

 

 

        E erguendo os gládios e brandindo as hastas,

        No desespero dos iconoclastas

        Quebrei a imagem de meus próprios sonhos!

 

 

   

A MEU PAI DOENTE

 

 

Para onde fores, Pai, para onde fores,

Irei também, trilhando as mesmas ruas...

Tu, para amenizar as dores tuas,

Eu, para amenizar az minhas dores !

 

 

Que cousa triste! O campo tão sem flores,

E eu tão sem crença e as árvores tão nuas

E tu, gemendo, e o horror de nossas duas

Mágoas crescendo e se fazendo horrores !

 

 

Magoaram-te, meu Pai?! Que mão sombria,

Indiferente aos mil tormentos teus

De assim magoar-te sem pesar havia?!

 

 

Seria a mão de Deus?! Mas Deus enfim

É bom, é justo, e sendo justo, Deus,

Deus não havia de magoar-te assim!

 

(Eu)

 

              

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